Diário de Bordo 1
Dia 12 de março de 2014
A primeira sessão de Formação de Mediadores de Pares realizou-se no dia 12 de março, na Escola EB 2,3 Frei Caetano Brandão. Como era o primeiro dia, fiz-me acompanhar pela Adriana, pois poderia sentir-me mais segura, no caso de, num dado momento, não conseguir desenvolver alguma ideia e, deste modo, ela poderia ajudar-me. Também tive a oportunidade de ter a presença da Dra. Neusa, a nossa Acompanhante na Instituição.
Quando os alunos chegaram à sala, percebi que aquilo para que estivemos a trabalhar durante meses tornou-se mesmo real e os alunos estavam ali à minha frente, prontos para começar. A Formação de Mediadores de Pares iria, finalmente, ter início, após todos os constrangimentos e contratempos que vivenciámos.
Antes do início da sessão, perguntei se todos sabiam o que era um mediador de pares. Questionei-os acerca disso por duas razões: uma advinha do facto de que, quando o grupo se reunia com os alunos, estes já não se recordavam de nós e qual era o nosso projeto. A segunda razão refere-se ao facto de estarem presentes dois alunos novos que, quando sensibilizados pela Dra. Neusa, se voluntariaram e com os quais nunca tinha falado, pois não estava prevista a sua participação no projeto. Desta forma, achei necessária uma pequena abordagem quanto ao propósito do nosso projeto e, consequentemente, ao conceito de mediação.
Posto isto, a primeira atividade desenvolvida foi a do “novelo de lã”, na qual o principal objetivo era não só a apresentação de todos os intervenientes, como também conhecer as expectativas dos mesmos. Para esse efeito, as cadeiras estavam posicionadas num círculo, onde procedemos ao início da referida atividade.
Assim, a partir das respostas que os formandos foram dando acerca das suas expectativas, a maior parte dos mesmos referiu “ajudar na resolução de conflitos”, algo que por um lado me deixou um pouco na dúvida acerca da veracidade das suas respostas, ou seja, seria mesmo uma expectativa ou basearam-se na explicação que dei no início da sessão para responderem a essa questão? Por outro lado, realmente, a principal característica que conhecem da mediação é ser uma técnica/ferramenta de resolução de conflitos e partindo desse facto, pode-se explicar a maioria das respostas dadas.
Esta atividade realizou-se muito depressa, algo para o que a quantidade de alunos também favoreceu. No entanto, acho que teria sido mais significativa se durante as respostas eu tivesse perguntado o porquê daquela resposta, facto que também ajudaria na compreensão da quase totalidade das respostas relativa ao “ajudar na resolução de conflitos”, tal como já referi.
Posteriormente, passámos à atividade dois, intitulada “o contrato”, em que o objetivo era apresentar o programa de Mediadores de Pares, no qual expliquei os vários módulos, segundo os objetivos que cada um possuí.
Após o fim desta atividade, achei importante ter uma discussão em torno das regras que devem ser estabelecidas enquanto grupo na Formação de Mediadores de Pares, uma vez que se devem ter em conta certos aspetos que são importantes para que exista uma boa interação entre todos e se estabeleçam boas bases de comunicação. Assim, os formandos enumeraram as seguintes regras: “respeitar a opinião dos colegas”, “levantar o dedo antes de falar”. Através desta atividade, percebi que eles têm consciência das regras que devem existir para que um grupo funcione corretamente, apesar de, muitas vezes, essas regras não serem cumpridas na sua totalidade, como, por exemplo, o simples gesto de levantar o dedo para que, posteriormente, possam falar/exprimir alguma ideia.
Por último, concretizei uma atividade que, mesmo não estando prevista no plano de atividades, achei importante realizar, pois era bom para mim, enquanto formadora, perceber se os formandos têm consciência dos problemas que se desenvolvem no contexto escolar e relativamente a esses, quais são aqueles que os preocupam mais, enquanto protagonistas no meio escolar. Para a realização desta atividade, distribuí aos alunos pequenos quadrados de papel nos quais teriam de escrever, tal como já referi, um ou mais problemas que existiam na escola e que despertavam em si preocupação.
No final da obtenção das respostas dos formandos, partilhei as respostas em voz alta, para que todos tomassem conhecimento das preocupações de cada um, embora houvesse a possibilidade da resposta ser confidencial, algo que deixámos ao seu critério. As respostas foram variadas e algumas até surpreendentes. As mais coincidentes foram as “ameaças”, o “desrespeito entre colegas”, a “porrada” e o “bullying”. As duas respostas que mais me surpreenderam pela positiva foram a identificação do respeito como um problema que preocupa o formando e a preocupação de outro formando que todos os alunos respeitem o regulamento interno. Estas duas respostas surpreenderam-me, no primeiro caso, porque o formando tem a consciência de que o respeito é importante numa escola, onde convivem todos os dias um grande número de alunos e, no segundo caso, existe um conhecimento, por parte deste aluno, do regulamento interno e, consequentemente, sabe que valores devem estar subjacentes a um bom funcionamento de uma escola.
No final da leitura das respostas, fiz uma breve exposição na qual lhes transmiti quais eram as respostas que tinham sido mais repetidas, dizendo-lhes que, de alguma forma, essas preocupações iriam ser alvo de atenção nas atividades que iríamos desenvolver ao longo dos próximos meses. Assim, transmiti-lhes que temas como o bullying, a violência, as formas de comunicação mais adequadas, que levam à amenização do desrespeito entre os colegas, que eles mencionaram como preocupação, iriam fazer parte dos temas a serem abordados. Quis também passar a mensagem de que este grupo de Mediadores de Pares podia também ser um grupo para onde podiam trazer casos de conflitos que conhecessem ou que estivessem a vivenciar, para que, em conjunto, pudéssemos ajudar a resolver determinado conflito ou, em casos mais graves, encaminhar o caso para o Gabinete de Mediação e Orientação Escolar.
Após a reflexão que deve existir posteriormente à sessão, percebi que existia, por parte dos alunos, empenho, interesse em participar e em ajudar na melhoria das relações na escola, ao ponto de um formando perguntar: “Já não vamos fazer mais atividades?” Algo que, para mim é motivador, o facto de perceber que existe um interesse real e espontâneo na continuação da sessão.
No entanto, existem sempre aspetos a melhorar e, muitos mais existem, quando o formador(a) ainda se encontra em processo de ensino-aprendizagem e desenvolvimento de competências, tal como é o meu caso.